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sábado, 12 de março de 2016





Vem meu ursinho querido, meu companheirinho, ursinho pimpão



Uma infância bem vivida é reflexo para toda a vida.. Lembro-me de músicas que me marcaram muito, e percebo que estou prestes a receber um Ursinho Pimpão real, de carne e osso. Um ursinho para a vida toda..



Afinal, faltam aproximadamente 5 semanas para a chegada da nossa Flor de Liz. Junto com a sensação de alegria, vem uma insegurança e um medo jamais experimentados.



Na verdade, nunca imaginei que sentiria essa insegurança e esse medo. Eu, que sempre me achei predestinada para ser mãe, de repente me confronto com uma situação de reflexão interior e pensamentos dos mais variados, no sentido da incerteza dos dias que virão.



Incerteza de ser capaz dessa responsabilidade, incerteza do momento, incerteza de ter condições de fazer uma criança feliz, de educá-la. Seremos capazes de amá-la sem estragá-la? Seremos capazes de trazer-lhe tudo sem entregar-lhe nas mãos com muita facilidade? Seremos, enfim, capazes de dosar nosso amor e a necessidade de sermos duros para formar um ser humano decente?



São inúmeras perguntas que rodam em minha mente, a cada dia. Mas tenho certeza de que o fruto maior de um amor não pode dar algo diferente que não seja mais amor, e que com esse ingrediente moldaremos uma pessoa honesta, meiga, feliz e cheia de luz.



Nossa Liz virá para trazer à nossa vida ainda mais prazer. E para materializar o amor de forma mais plena e magnífica em nosso casamento...



Que Deus nos ajude a cumprir bem a missão que nos é confiada.


Achei este rascunho hoje, mais de seis anos depois. Acho que vale a pena publicar. Hoje os medos continuam, de outra forma. Luto contra mim mesma e minha síndrome de chocadeira. Não podemos entubar os filhos em um mundo à parte.. Embora eu quisesse. (Sim, confesso que sou psicótica)

Cá estamos e ela é tudo isso e muito mais. Agradeço a Deus todos os dias e peço forças para trilhar o melhor caminho para ela e a outra frutinha linda, nosso esteio sentimental, aquela que veio para trazer amor, Tarsila.

Amo você, você me ama, somos uma família feliz.. Com um forte abraço e um beijo te direi, meu carinho é pra você!






Os dois lados da mesma moeda

Verdade que mais de dois anos se passaram.. Não sei bem como nem por que, mas em um momento de nostalgia, "Googlei" meu blog e resolvi voltar.
Infelizmente, volto à atividade no blog num momento de desesperança.
De fato, estou perdida, sem saber se ainda é possível acreditar no ser humano. Ultimamente tenho visto muito de "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço". E qualquer um sabe que isso não permite que nenhuma sociedade evolua. Dito isso, concluo que meu microcosmo social não andava lá muito evoluído. Por isso resolvi me afastar do que me machuca e usar meu tempo para maximizar bondades.

No meu meio, a hipocrisia reina, numa realidade em que pouco valor se dá à essência das pessoas, principalmente se elas não se comportam do jeito esperado. A agressividade toma conta das atitudes, e o desejo de estar certo acaba dominando quem está totalmente errado, fazendo que este se enxergue como mártir ou uma espécie de salvador, em uma situação sem salvação.

Eu só consigo pensar que não posso compactuar com a agressão, com a violência. E percebi que a gente mal se dá conta dela até que nos tornamos vítimas. E então, as perspectivas de vida mudam.
De repente eu entendo que abomino a imagem que posso ter projetado de mim, e me permito trazer a suavidade, a compreensão e a complacência para minha personalidade forte. Porque nada é pior do que magoar um outro ser humano.

A mágoa imprime marcas profundas na alma, tanto ou mais do que o amor desmedido. E percebo, assim, que, realmente, aquela canção estava certa: "o amor e o ódio estão juntos, são os dois lados da mesma moeda"... Tento, para afastar de mim qualquer sentimento que se aproxime do ódio, me aproximar mais da leveza e me permitir amar quem me dá motivos para odiar. Amando, desejo que somente o bem possa chegar a quem me quer mal. E entendo, finalmente, que a paz de espírito é minha, e ninguém poderá me tirar. E, então, nenhum malfeitor de mim, nenhum difamador da minha vontade de fazer o certo, passa mais a ter importância.

Feliz retorno aos meus MELOdias, ao lado de minhas crias lindas e da minha outra banda da laranja.

Texto escrito em junho de 2015. Estou publicando tardiamente, mas como foi escrito num momento que me marcou muito, não posso deixar de registrar.

Venha se perder...

Quando éramos crianças, costumavamos viajar para nossa terra natal, Belo Horizonte, pelo menos tres vezes ao ano. 98% das vezes, íamos de carro.

Nessas viagens meu gosto musical teve a oportunidade de se apurar, pois meu pai nos regava com muita música popular brasileira, sempre nos proporcionando o contato com compositores e intérpretes variados, desde os populares aos que agradam a elite intelectual brasileira. Mesmo não fazendo parte dela, meu pai, um homem simples que saiu do interior do interior de Minas para desbravar a cidade grande e dar continuidade aos estudos, conseguiu ter o refinamento e a sensibidade de nos introduzir e introjetar Chico Buarque, Joao Gilberto, Caetano, Joao Nogueira, João Bosco, Betânia, Toquinho e Vinicius, Maysa, dentre tantos outros nomes que engrandecem a música brasileira.

Quando me lembro de nossas viagens e das oito horas que passávamos dentro do carro, é inevitável agradecer meu pai pela sensibilidade democrática de sempre nos obrigar a ouvir o que ele queria. Tenho tanto orgulho do repertório musical que carrego em minha memória, que não caibo em mim de contentamento quando começo a trazer essas musicas que se repetiam no toca fitas de meu pai naqueles tempos.

Minha mãe tinha a função de trocar as fitas. Com o tempo, fomos adquirindo nossas preferências e às vezes a gente podia palpitar em qual seria a próxima fita: Chico, João Bosco, Toquinho, Fagner..

Hoje quero terminar com uma das músicas que sempre escutava no carro do meu pai e que hoje retornou ao repertório do meu celular:

Turbilhão
(Toquinho/Mutinho)

Venha se perder nesse turbilhão.
Não se esqueça de fazer
Tudo o que pedir esse seu coração.
Tem muita gente que só vive pra pensar;
Existe aquele que não pensa pra viver.
Eu, por exemplo, na paixão,
Mesmo que tenha que sofrer,
Eu abro o jogo e o coração
E deixo o meu barco correr.
Tem muita gente que não quer se complicar;
Existe aquele que não perde a sua fé.
Eu, por exemplo, meu amigo,
Pelo amor de uma mulher,
Eu viro a cara pro perigo
E seja lá o que Deus quiser.